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Do Paraíso E Do Poder - Os Estados Unidos E A Europa Na Nov

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Características principais

Título do livroDo Paraíso e do Poder - os Estados Unidos e a Europa na Nov
AutorROBERT KAGAN
IdiomaPortuguês
Editora do livroEDITORA ROCCO
FormatoPapel
Tampa do livroMole
MarcaEDITORA ROCCO

Outras características

  • Quantidade de páginas: 108

  • Gênero do livro: Ciências Humanas e Sociais

  • Subgêneros do livro: Política

  • Tipo de narração: Manual

  • ISBN: 9788532515520

Descrição

Nos últimos tempos, o mundo tem se escandalizado com a postura cada vez mais intervencionista dos EUA. Muitos acreditam que o rumo da única hiperpotência mudou desde os atentados de 11 de setembro de 2001 ou, antes, desde a eleiço do presidente George W. Bush. Entretanto, Robert Kagan no concorda com isso. Em seu novo livro, Do paraíso e do poder, o ex-funcionário do departamento de Estado norte-americano explica com admirável clareza por que no há nada de surpreendente na atual política de seu país. Para ele, o que se vê hoje é apenas a continuidade do trabalho das três últimas administrações dos EUA. Com riqueza de detalhes históricos, o autor joga luz sobre a natureza do abismo ideológico que se aprofunda entre Europa e América, com previso de um futuro no muito melhor.
Por um lado, os EUA so considerados um país de temperamento belicoso, produto de uma sociedade violenta, que recorre à força com rapidez, pouco paciente com a diplomacia, por ver o mundo dividido entre o Bem e o Mal. Já a Europa enxerga um cenário mais complexo e prefere agir por intermédio das instituições internacionais, como a ONU. Segundo Kagan, ambos os perfis so caricatos. Mas, como toda caricatura, têm base na verdade, que aqui só pode ser compreendida relembrando-se o passado.
Até a metade do século XX, a Europa sempre viveu em conflito. Com a Primeira Guerra Mundial, as cinco potências do continente ficaram arrasadas, o que lhes deixou na dependência dos banqueiros americanos por décadas. Desde ento, a Europa tem se afastado da política do poder – com a criaço da Liga das Nações, tentou garantir a segurança coletiva, evitando novos conflitos armados. Mas a diplomacia fracassou e veio a Segunda Guerra, que praticamente destruiu qualquer esperança de que um dia voltasse a existir uma potência européia. Após cinco séculos de domínio colonial, todas as metrópoles, empobrecidas, tiveram que abrir mo de suas colônias, incapazes de mantê-las sob seu poder. E assim a Europa acabou num estágio de dependência estratégica dos EUA, até hoje.
Em 1992, quando os países europeus se uniram num só grupo econômico e político, houve a promessa de que o continente reconquistaria sua grandeza de outrora e se tornaria a nova superpotência. Mas isso só se cumpriu no que se refere à economia – os EUA, com seu poderio militar e econômico, ainda estavam anos-luz à frente em poder geopolítico e estratégico. Naquela década, os conflitos nos Bálcs e em Kosovo, praticamente decididos pelos americanos, deixaram clara a incapacidade da Europa de resolver seus problemas militares sozinha. Com o fim da Guerra Fria, os EUA ficaram livres para intervir onde quisessem, fosse na Europa, no Panamá (1989), no Iraque (1991) ou na Somália (1992, ainda que em caráter humanitário). Portanto, quando George W. Bush disse estar disposto a atacar o que chamou de "eixo do mal", tendo em seguida bombardeado o Afeganisto (2001) e novamente o Iraque (2003), Robert Kagan no ficou surpreso – o presidente americano estava sendo coerente com a política de seus antecessores, George Bush pai e Bill Clinton, que prepararam o país para ser capaz de atuar em várias guerras simultâneas.
Tudo isso explica por que, nos últimos meses, EUA e Europa enxergaram Saddam Hussein de formas diversas. Kagan esclarece a questo usando o que chama de psicologia do poder: "O homem que só conta com uma faca pode resolver que o urso que ronda pela floresta é um perigo tolerável, já que a alternativa – caçar o urso armado com apenas uma faca – é, de fato, mais arriscada do que esconder-se e esperar que o urso jamais ataque. É provável que, armado com um fuzil, porém, o mesmo homem faça um cálculo diferente do que constitui risco tolerável. Por que correr o risco de ser atacado e morrer, se no precisa fazê-lo?" No presente caso, os EUA esto com o fuzil; já a Europa só tem a faca.
Kagan acredita que, de certa forma, os europeus se sentem confortáveis tendo os EUA como xerifes do mundo, pois isso faz dos americanos o único alvo de ataques. O autor diz que hoje temos uma Europa pós-moderna, um paraíso de paz que no quer reviver os horrores de suas antigas guerras. O problema é que quando os americanos pedem imunidade no Tribunal Criminal Internacional, é contrariada a crença européia de que todos os países, fortes ou fracos, so iguais perante a lei. Se esse princípio for desrespeitado, como poderá sobreviver a Unio Européia, que depende da obediência geral às suas leis?
Por fim, Kagan destrói outro mito: o de que os EUA têm tendência isolacionista. Segundo ele, trata-se de um país cuja história sempre foi marcada pela expanso de território e de influência, e o é cada vez mais.


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