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Mantendo Um Olho Aberto - Ensaios Sobre A Arte

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Informações da loja

Rocco
Rocco

Loja oficial no Mercado Livre

Características principais

Título do livroMantendo um olho aberto - Ensaios sobre a arte
AutorJulian Barnes
IdiomaPortuguês
Editora do livroEDITORA ROCCO
Tampa do livroMole
MarcaEDITORA ROCCO

Outras características

  • Quantidade de páginas: 256

  • Gênero do livro: Arte,arquitetura e desenho

  • Subgêneros do livro: Desenho e pintura

  • Tipo de narração: Manual

  • ISBN: 9788569474326

Descrição

Por Alvaro Costa e Silva*
Para Julian Barnes, a maior ambiço da arte é renovar a viso que temos do mundo. Nunca mais vamos olhar certos pintores e certos quadros da mesma maneira que fazíamos antes quando terminamos a leitura de Mantendo um olho aberto – Ensaios sobre a arte, que focaliza quase dois séculos de produço artística. De certa maneira, Barnes age como um professor, aquele melhor tipo de professor que consegue ensinar sem pedantismo e com eficiência porque transpira paixo pelo que comparte. Nome incontornável da atual literatura britânica – de quem a Rocco publicou os principais livros no Brasil – Julian Barnes se aproximou da pintura lentamente. Na introduço da coletânea, ele conta que seu interesse foi despertado pelas obras de Gustave Moreau (1826-1898), o simbolista francês. Mas especificamente por uma visita fortuita ao Museu Gustave Moreau, em Paris. “Talvez eu admirasse Moreau especialmente porque ninguém tinha me dito para fazer isso. Mas foi certamente nesse lugar que eu me lembro de, pela primeira vez, observar pinturas conscientemente, em vez de me encontrar na presença delas de modo passivo e obediente”, escreve o romancista. É a primeira liço de Barnes: deixar-se levar, por conta própria, pelo mistério da pintura. Esse impulso foi decisivo na hora de o escritor eleger o modernismo como seu movimento artístico predileto. A escolha é fácil de entender levando-se em conta que Gustave Flaubert (1821-1880) – constantemente citado no livro e, por coincidência, um grande amigo de Gustave Moreau – é um dos autores imprescindíveis na galeria de Barnes. Foi com o O papagaio de Flaubert, obra inclassificável e fascinante, que o autor ficou conhecido internacionalmente, em 1984.  Na pintura e na literatura, ele busca um equilíbrio entre o desejo de fazer o novo e um diálogo contínuo com o passado. Essa abordagem norteia os 17 ensaios, que vo de Eugéne Delacroix (1798-1863) e Paul Cézanne (1839-1906) a Lucian Freud (1922-2001). Abre o livro um texto sobre A balsa da Medusa, de Théodore Géricault (1991-1824).  O quadro retrata trágico episódio: um naufrágio no norte da África deixou cerca de 150 pessoas sem lugares no bote salva-vidas; elas tiveram de se amontoar numa pequena jangada construída com tábuas e partes do mastro, a qual ficou à deriva em alto-mar. Um médico assumiu a liderança do grupo e passou a dissecar os corpos dos mortos para que servissem de alimento aos sobreviventes. Depois de 15 dias, eles enfim avistaram um navio no horizonte. Julian Barnes narra em detalhes a história antes de interpretar a tela como uma representaço da decadência do homem até a morte: “A estrutura emocional da obra de Géricault, a oscilaço entre esperança e desespero, é reforçada pelo pigmento: a balsa contém áreas de iluminaço brilhante em violento contraste com pedaços da mais profunda escurido.” Além das formulações analíticas, o autor fornece um perfil do criador, pincelando um aspecto da sua personalidade reconhecível na obra e contextualizando a época. Numa aproximaço com a literatura, Barnes trata cada quadro como se fosse uma ficço e o artista, uma personagem. Delacroix era a personificaço da figura romântica: orgulho e insegurança, presença intensa e jeito sonhador, amor pelas honrarias e certa modéstia. Mestre dos jogos de luz e sombra, Édouard Manet (1832-1883) nem sempre foi “Manet”: prova disso é seu período católico. Cézanne, o radical inovador da arte no século 20, só ganhou sua primeira exposiço individual em 1895, quando já tinha 56 anos. Freud, neto de Sigmund, o criador da psicanálise, é um artista cuja obra é difícil de separar de sua biografia, e por isso ele tentou apagar os traços de sua vida o mais que pôde. O ambiente artístico hoje parece contaminado, excessivo, confuso. Para orientar o espectador comum, existem os cursos livres de história da arte, os catálogos especializados, as enormes filas e as visitas guiadas a galerias e museus, sem falar nas pesquisas disponíveis em milhares de sites da internet e aplicativos de celulares. Quanto tempo gastamos diante de uma boa pintura? Dez segundos, trinta segundos? Quanto tempo gastamos numa exposiço de um artista consagrado com cerca de 300 itens? Julian Barnes faz essas perguntas no livro e ele mesmo calcula que, se forem gastos dois minutos com cada obra exibida, a soma chegaria a dez horas (sem pausa para almoçar, tomar um café ou ir ao banheiro). Com Mantendo um olho aberto, o leitor saberá aproveitar melhor o seu tempo. E nunca mais o mundo, ou a transfiguraço do mundo num quadro, será o mesmo. *Alvaro Costa e Silva é jornalista

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