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De Repente, Uma Batida Na Porta

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Rocco
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Características principais

Título do livroDe repente, uma batida na porta
AutorETGAR KERET
IdiomaPortuguês
Editora do livroEDITORA ROCCO
FormatoPapel
Tampa do livroMole
MarcaEDITORA ROCCO

Outras características

  • Quantidade de páginas: 256

  • Tipo de narração: Manual

  • ISBN: 9788532529213

Descrição

A conhecida, mas pouco praticada, teoria do nocaute de Julio Cortázar – segundo a qual o romance vence sempre por pontos, enquanto o conto deve vencer por nocaute – cai ou bate como uma luva (de oito onças, aquela usada pelos lutadores pesos-pesados) para a literatura de Etgar Keret, uma das atrações da Flip 2014. Considerado o principal nome da literatura israelense pós-Amos Oz, Keret, que também é cineasta e autor de quadrinhos, conquista o leitor por sua rara combinaço de profundidade e leveza.

É impressionante como os 38 contos (alguns bem curtos, outros nem tanto) de De repente, uma batida na porta – livro que a editora Rocco, em traduço de Nancy Rozenchan, escolheu para apresentar o autor israelense ao leitor brasileiro – têm “pegada”. Muitos deles atacam logo nas primeiras linhas, para definir um clima de nonsense, humor, compaixo.

Assim abre o relato “Equipe”: “Meu filho quer que eu a mate” (e quando o leitor descobre quem é a possível vítima, o susto ainda é maior). “Abrindo o zíper”, um relato fantástico na linha de Cortázar, inicia de maneira singela, mas irresistível: “Começou com um beijo. Quase sempre começa com um beijo.” “Mystique” tem, talvez, uma das aberturas mais notáveis de todo o livro: “O homem que sabia o que eu estava prestes a dizer sentou-se a meu lado no avio, e deu um sorriso idiota. Isso é o que era mais enlouquecedor nele, o fato de que no era inteligente ou sensível, e ainda assim conseguia dizer todas as coisas que eu queria dizer, três segundo antes de mim.”

À guisa de introduço, Etgar Keret – um contador de histórias vocacional – compõe o relato que dá título ao livro. Nele encontramos um escritor que, dentro de sua própria casa, é acossado por três visitantes indesejados e armados que exigem que ele lhes conte... uma história, que em realidade é aquela que está sendo narrada. No conto so citados dois dos mais conhecidos escritores israelenses da atualidade: “Aposto que coisas como esta nunca aconteceriam com Amós Oz ou David Grossman.” De fato, no plano literário, Keret estaria mais próximo à influência e à tradiço de Kafka (ainda que um Kafka que tenha lido Kurt Vonnegut e assistido aos primeiros filmes de Woody Allen). E, ao contrário de Oz, representante de uma geraço anterior, tem um olhar mais desencantado, e no pacificador, em relaço ao Estado de Israel e aos conflitos na regio do Oriente Médio.

Daí a violência na vida cotidiana que transparece em sua obra. “Simyon” retrata o clima de insegurança e falsas existências, à margem da sociedade: um atentado ceifa a vida do marido de conveniência que a protagonista havia arranjado justamente para fugir ao alistamento militar obrigatório, e de cuja existência ela nem mais se lembrava. A par da violência, os personagens esto imersos numa solido aparentemente sem volta: em “Manh saudável”, um homem se compraz em ser confundido, às vezes perigosamente, com outras pessoas. Só para poder ter alguém com quem conversar.

Ao nos dar relatos como “Terra de mentira” – talvez o mais bem idealizado entre todos da coletânea –, Keret é antes de tudo Keret, com marca e estilo próprios, sem maiores influências do passado ou da política, um escritor que, com linguagem concisa e coloquial, cativou público e crítica, foi classificado como gênio pelo The New York Times e é apontado como um dos mais extraordinários escritores de sua geraço.

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