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O Mistério Do Coelho Pensante (capa Dura)

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Informações da loja

Rocco
Rocco

Loja oficial no Mercado Livre

Características principais

Título do livroO Mistério do Coelho Pensante (Capa Dura)
AutorClarice Lispector
IdiomaPortuguês
Editora do livroEDITORA ROCCO
Capa do livroMole
MarcaEditora Rocco

Outras características

  • Quantidade de páginas: 48

  • Gênero do livro: Infantis

  • Tipo de narração: Manual

  • ISBN: 9788562500503

Descrição

O sumiço de um simples coelhinho branco – quem diria! – inspira uma das mais instigantes histórias infantojuvenis de Clarice Lispector. Em O mistério do coelho pensante, que ganha nova ediço pela Rocco, a escritora discorre sobre profundas questões existenciais, na dose certa para a apreciaço dos pequenos leitores. Qual a diferença entre “natureza humana” e “natureza de coelho”? Como a gente sai do terreno da necessidade para o da vontade e da criatividade ? É possível um pensamento que seja também um sentimento e uma sensaço? Nesta obra, a reflexo se desenvolve de forma leve e divertida. Tudo começa quando o coelho Joozinho consegue fugir misteriosamente da casinhola deixando a todos – personagens, narradora e leitores – de orelha em pé. No por acaso, o protagonista tem nome de criança. Joozinho, na obra, é também símbolo da infância, desta maravilhosa fase de tantas descobertas. De tanto fugir da gaiola quando lhe falta comida, Joozinho “toma gosto” e decide escapar sempre que possível. Ao ganhar a liberdade e ser feliz, o coelho pensante descobre o amor, adivinha que a Terra é redonda e passa a se interessar por muitas coisas além de cenouras. “Nas suas fugidas também descobriu que há coisas que é bom cheirar mas que no so de se comer. E foi aí que ele descobriu que gostar é quase to bom como comer”. A partir deste pequeno incidente doméstico, Clarice aguça a curiosidade e a criatividade das crianças ao convocá-las a desvendar os sumiços do animalzinho. No misterioso mundo da narrativa clariceana, crianças e adultos podem encontrar a chave do enigma, abrindo as portas das próprias “gaiolas” rumo à liberdade de imaginaço e recriaço, inclusive, da obra. Bem ao estilo de Clarice, a resposta fica em aberto, descortinando novos mistérios e histórias. “Você na certa está esperando que eu agora diga qual foi o jeito que ele arranjou para sair de lá. Mas aí é que está o mistério: no sei! E as crianças também no sabiam.” A narrativa rompe estereótipos e coloca a criança em pé de igualdade com os adultos, representados pela narradora-autora nesta história com forte traço (auto)biográfico. Primeiro livro de Clarice endereçado às crianças, O mistério do coelho pensante teve como motivaço um “pedido-ordem” de seu filho, Paulo, que andava chateado com o sumiço de um casal de coelhinhos da casinhola. Escrito ao estilo de uma conversa íntima, recebeu prêmio da crítica especializada como a melhor obra infantil de 1967. A narrativa é tecida, portanto, em fina sintonia com os anseios de uma criança leitora – representada por Paulinho – e procura estabelecer com este público forte interlocuço. A partir de uma singela metonímia do coelho – um nariz farejante – a autora coloca em cena uma forma de pensamento que é também sensorial, instintivo. Um pensar-sentir que liberta o protagonista Joozinho das grades da necessidade (por comida), lançando-o no vasto universo da imaginaço.  “Você no reparou que nariz de coelho parece estar sempre recebendo e mandando telegramas urgentes? É porque ele compreende as coisas com o nariz”, explica a narradora. Trata-se do elogio ao viver como forma de saber. “Só há dois modos de descobrir que a Terra é redonda: ou estudando em livros, ou sendo feliz. Coelho feliz sabe um bocado de coisas.” O livro é perpassado por tiradas sensíveis, irônicas e sempre bem humoradas. Também as metáforas falam ao sensorial, evocado pela autora. “De pura alegria, seu coraço bateu to depressa como se ele tivesse engolido muitas borboletas.” A bela ilustraço de Kammal Joo dá nova vida ao coelho pensante, explorando texturas e formas geométricas como o triângulo, espécie de ícone que delineia o nariz do animalzinho, dos personagens e figura em toda a narrativa. O estilo artesanal dos desenhos sublinha a delicadeza e as múltiplas dimensões desta obra que, mesmo quando fala sobre um corriqueiro acontecimento, faz pensar.  A diferença é que este coelhinho no fala, mas pensa – ao contrário de certos animaizinhos que aparecem em fábulas para reafirmar a “moral da história”. “Se você pensa que ele falava, está enganado. Nunca disse uma só palavra na vida. Se pensa que era diferente dos outros coelhos, está enganado. Para dizer a verdade, no passava de um coelho.” No universo clariceano, os bichos e as crianças representam uma força de vida em estado bruto, a latência de um viver ainda no domesticado, formatado. Por este motivo, tais seres intrigam e colorem o traçado de uma escrita que, além de excelente literatura, é pura filosofia.
*Julia Duque Estrada é jornalista e mestre em Literatura Brasileira
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