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Informações da loja

Rocco
Rocco

Loja oficial no Mercado Livre

Características principais

Título do livroCantiga de findar
AutorJulián Herbert
IdiomaPortuguês
Editora do livroEDITORA ROCCO
Capa do livroMole
Ano de publicação2014
MarcaEDITORA ROCCO

Outras características

  • Quantidade de páginas: 256

  • Altura: 210 mm

  • Largura: 140 mm

  • Peso: 288 g

  • Tradutores: Castillo Miguel Del

  • Tipo de narração: Manual

  • ISBN: 9788532529503

Descrição

Cantiga de findar, de Julián Herbert, engrossa um filo literário moderno que já desfruta status de tradiço: a narrativa em que se cruzam verdade autobiográfica e ficço pessoal, resultando uma ambiguidade perfeita e insolúvel. O que se passou de fato? E o que no se passou? Nunca saberemos. Assim, na dúvida, a leitura é sempre mais instigante e prazerosa. Publicado em 2011, o livro fez do autor mexicano um nome internacional, com seguidas traduções, além de lançamento nos demais países de língua espanhola, reconhecimento da crítica e apreço dos prêmios de romance Jaén e Elena Poniatowska (em 2011 e 2012, respectivamente). Nele, conta-se uma dura história. Guadalupe Chávez, a me do narrador, uma mulher que foi bela quando jovem e ganhou a vida como prostituta, está com leucemia, presa a uma cama de hospital, “com os braços cheios de hematomas causados pelas agulhas, conectada a equipos translúcidos manchados de sangue seco, transformada agora numa espécie de mapa químico por pequenos letreiros que anunciam, em caneta Bic e cheios de erros ortográficos, a identidade dos venenos que lhe injetam”. No quarto 101 do Hospital Universitário de Saltillo (Coahuila, México), um homem chamado Julián Herbert – o mesmo nome do autor do livro – cuida de dar banho e de comer à paciente. Ao mesmo tempo escreve quase às escuras num laptop sobre sua me. Ela teve cinco maridos e um dia foi “belíssima: baixinha e magra, o cabelo liso caindo até a cintura, o corpo maciço e uns traços indígenas sem-vergonhas e reluzentes”.  Também descreve a progresso da doença dela até a morte. Quem narra, na atualidade, é um autor adulto, mais ou menos consagrado, que recebeu prêmios literários e constantemente viaja para participar de festivais em Berlim e Havana. Fica evidente que o narrador compartilha quase todas as coordenadas biográficas de Julián Herbert, o escritor de carne e osso. Mas a força do texto em Cantiga de findar (Canción de tumba, no original) no reside no seu caráter de testemunho, e sim na sua potência como romance puro e simples. Sobretudo na linguagem utilizada, que nos chega de forma poderosa, barroca, musical, por vezes deselegante mas eficiente. A estratégia de mesclar verdade e ficço íntimas é recurso consagrado por André Malraux, Loius-Ferdinand Céline, Patrick Modiano – autores de língua francesa, na qual apareceu o termo “autoficço” – e também pelos espanhóis Javier Marías, Enrique Vila-Matas e Javier Cercas.  Da mesma geraço de Julián Herbert, há os exemplos do chileno Alejandro Zambra, com Formas de voltar para casa, e da também mexicana Guadalupe Nettel, com O corpo em que nasci, publicada na coleço Otra Língua, da Rocco. Composto por peças soltas – contos na melhor classificaço do gênero, diatribes contra o México (chamado ironicamente de “Suave pátria”, como no poema de Ramón López Velarde), pequenas vinhetas, trechos de diários e de lembranças, homenagens a Guillermo Cabrera Infante – que se encaixam de maneira um tanto caótica mas sem perda da fluidez narrativa, o livro em algumas dessas partes beira o ensaio, utilizando-se de outro dos recursos do romance moderno. Num trecho em especial discute-se o gênero memorialístico à luz dos ensinamentos do escritor irlandês Oscar Wilde: “Wilde considerava que escrever autobiograficamente reduz a experiência estética. No concordo: apenas a proximidade e a impureza de ambas as áreas podem criar sentido. (...) Escrevo para transformar o perecível. Escrevo para entoar o sentimento. Mas também escrevo para tornar menos incômodo e tosco este sofá de hospital.” So palavras que, segundo nota o diplomata Gustavo Pacheco no posfácio, compõem uma declaraço de intenções do autor, e que, de certa forma, explicam a natureza híbrida do livro.
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