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A figura central desta mescla impressionante de história e romance ocultista é o tão conhecimento reformador religioso, de origem checa, João Huss, considerado o precursor da Reforma conduzida por Martinho Lutero no século XVI. Nascido na Boêmia cerca de 1370, em 1415 morreu queimado vivo, por heresia, após julgamento sumário levado a efeito pela inquisição. Durante a acareação, Huss portou-se com exemplar dignidade. A morte de João Huss provocou mágoa e indignação, erguendo protestos de tal ordem que essa grita levou à "guerra hussita", com a derrota dos Imperiais em várias batalhas, cujos fatos confluíram para a criação da seita dos Hussitas, a qual veio a extinguir-se tão-somente em 1626.
Na fogueira, o comportamento de João Huss lembrou o de um santo e herói. Relata-se que pouco antes de estar o corpo envolto em chamas, do local, muito ofegante, acercou-se uma humilde camponesa com um feixe de lenha ao ombro. A camponesa para ali se dirigiu com o fito de alimentar ainda mais as chamas vorazes. Antes de fazê-lo, porém, ajoelhou-se e rendeu graças a Deus "por haver-lhe permitido chegar a tempo de ajudar a queimar um herege", ao que o grande mártir replicou: "Que santa ingenuidade!" Daí, por suposto, o justo título do romance, cujo conteúdo o leitor deverá sorver de um trago, com a sensação de dessedentar-se no mesmo cálice daqueles visionários que fizeram impelidos pela força da grande mensagem renovadora. |