Este livro não traz uma vida inteira, mas diz muito sobre a vida, porque conta a história de um bi-campeão do mundo. Na verdade, o que Luiz Carlos Lima fez ao escrevê-lo foi resgatar a todos os apaixonados pelo automobilismo,momentos emocionante e vivos desse esporte. Obviamente, há um nome muito importante para os brasileiros, nessa história toda. Esse nome não poderia ser outro, agora, senão o do nosso campeão : Nelson Piquet. Trechos do livro: |
Foi na Camber que fez o curso de mecânico de motocicletas e conheceu um de seus melhores amigos, Roberto Pupo Moreno, o "Baixo". Foi nessa época que participou de uma memorável corrida em Belo Horizonte, num circuito improvisado no estacionamento do estádio Mineirão. Na sexta-feira que antecedeu a corrida, os proprietários da Camber não se encontravam : Alex (Dias Ribeiro) tinha viajado para Tarumã, a fim de participar de uma prova de Fórmula-Ford e o Zeca estava doente. O único carro que estava na oficina era o pertencente à mãe de Alex, para uma revisão de freios, e que seria entregue na segunda-feira.
Nelsinho não teve dúvidas: retirou o motor do Volkswagen, colocou em seu lugar um motor preparado para corridas e instalou freios a disco na dianteira. O motor original foi colocado no interior do automóvel e seguiu para Belo Horizonte, tendo como companheiro Ricardo, o "Nhenhenhem". Em outro carro, outros dois amigos: Claudio Fernandes Junior e Pedro Leopoldo, o "Pedrão".
A corrida de Belo Horizonte foi uma verdadeira aventura. Além do fato do carro ter sido "emprestado", o grupo saiu de viagem com dinheiro suficiente para a ida. A volta dependeria de um pequeno detalhe: Nelsinho precisava vencer a corrida para ganhar o prêmio em dinheiro que cobriria as despesas da volta. Simples. Batida? Nem pensar! Na viagem de ida, aconteceu algo curioso: Claudio e Pedrão encontraram na estrada um jacaré e resolveram levá-lo, guardando-o no porta-malas. Nas paradas nos postos de gasolina, mandavam abastecer. Quando o frentista abria o capô e deparava com o jacaré de boca aberta, saía correndo apavorado.
O "candango" precisava vencer a corrida. E venceu, mesmo tendo sido obrigado a largar em último lugar. Ficou em quarto lugar na geral e com a vitória na categoria até 1600 cm³. Isso porque não resolveram abrir seu motor, um tremendo 2000 cm³. A viagem de volta estava garantida. E Nelsinho teve o maior trabalho durante toda a manhã de segunda-feira para colocar o carro, no mínimo, nas mesmas condições em que se encontrava antes da corrida. No início de 1973, resolveu comprar um Opala para participar de provas da Divisão I, em sociedade com Waltinho. O carro era todo branco, praticamente novo, com apenas um ano de uso. Preparou o carro visando as 12 Horas de Goiânia, prova que marcaria a inauguração do autódromo da capital de Goiás. Como sempre acontecia, muitos brasilienses seguiam para Goiânia a fim de torcer por seus pilotos. Pedrão correria em dupla com Nelsinho. Outro amigo, o Catanha, também foi assistir à corrida com o seu Opala e estacionou-o perto do boxe dos dois amigos que participariam da prova, preferindo acompanhar a corrida de um ponto de melhor visibilidade. No decorrer da prova, foram surgindo os problemas no carro e, na falta de peças de reposição, Nelsinho não pensou duas vezes antes de ordenar: "Pega no carro do Catanha". E assim foram retirando do carro do Catanha, suspensão, manga de eixo, pinça, disco, enfim, tudo o que foi necessário para manter o carro na competição. O resultado foi bom: chegaram na sétima colocação. Mas quando o Catanha voltou para pegar seu carro teve vontade de arrancar os cabelos quando o encontrou sobre cavaletes... |