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SINOPSE: Nos Estados Unidos do final dos anos 30, um cavalo de corrida de pernas tortas e menor do que a média se transformou numa celebridade. Em 1938, o pequeno Seabiscuit venceu tantas provas e proporcionou tamanhos ganhos ao seu proprietário, que conseguiu a maior cobertura do ano na imprensa, superando Roosevelt, Hitler e Mussolini. Seabiscuit conta a trajetória mirabolante desse animal e dos três homens responsáveis pelo fenômeno: Charles Howard, o dono, um dos maiores comerciantes de automóveis do país; Red Pollard, o jóquei, um ex-pugilista fracassado; e Tom Smith, o treinador enigmático e carrancudo que se transformou num Midas do turfe. Escrito em estilo ágil e aguerrido, como um empolgante páreo de grande prêmio, o livro leva os leitores ao coração de uma autêntica lenda americana. Nos fins de semana, ligar o rádio nas estações que transmitiam as corridas de Seabiscuit era um ritual em todo o país, atraindo uma audiência de até 40 milhões de pessoas. Multidões de pelo menos 40 mil pessoas lotavam as arquibancadas dos hipódromos apenas para assistir aos treinos do campeão. Numa era em que a população norte-americana não chegava à metade da de hoje, 78 mil pessoas presenciaram sua última corrida - multidão comparável à que atualmente comparece à final do campeonato de futebol americano. |
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Antes de mais nada, Seabiscuit não é um livro somente sobre corridas de cavalos. Também não é um livro sobre cavalos. É mais sobre vidas, sejam elas humanas ou animais. A época é a grande depressão dos anos 30 e a trama nos apresenta a três personagens: o milionário da indústria automobilística Charles Howard perdeu o filho num acidente com um de seus carros, o que acabou levando a esposa a abandoná-lo; o misto de caubói e treinador Tom Smith tem grande talento no trato com os animais, mas é considerado maluco pelos seres humanos; e John "Red" Pollard, cuja família ficou na miséria, adora cavalos e quer ser jóquei, embora seja corpulento demais. Enfim, três homens massacrados pela vida, que são usados como simbologia de uma nação falida e desesperada.
É então que eles se unem em torno de um quarto candidato a perdedor: o cavalinho Seabiscuit que, a despeito de ser cria de um grande campeão, foi tachado desde cedo de imprestável. Seabiscuit era pequeno e tinha as patas tortas, além de comer muito e ter fama de preguiçoso. Para completar o quadro, os maus-tratos constantes o deixaram rebelde e arredio. Desacreditado, foi treinado para correr com cavalos melhores e deixar que ganhassem. Apesar disso, Tom Smith enxerga nele um campeão e convence Charles Howard a comprá-lo, o que acarreta um novo problema: ninguém conseguia montar o cavalo. É então que entra no circuito Red Pollard e o relacionamento entre estes dois enjeitados, associado à perseverança e trabalho duro dos envolvidos, se transforma na receita de sucesso perfeita.
Seabiscuit - de Laura Hillenbrand, narra como a trajetória de Seabiscuit apaixonou o povo, já que representava a reconstrução de suas próprias vidas e a esperança de que era possível sair do atoleiro em que o país se afundara. Mas talvez o conceito mais importante seja o de que é possível dar uma segunda chance a quem falha. E os americanos, mais do qualquer nação, têm dificuldade em encarar o fracasso como algo reversível. Toda a filosofia do livro pode ser compactada na fala do treinador Tom Smith: "Não se joga fora uma vida inteira por causa de um problema". Em seu livro, Hillenbrand afirma que, na época, se escreveu nos jornais mais sobre Seabiscuit do que sobre o presidente Franklin Roosevelt.
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