Fotografia de Jards Macalé se apresentando no IV Festival Internacional da
Canção em 1969, em um dos momentos mais interessantes da carreira deste músico e
compositor carioca. Em seu site oficial, há a descrição daquele momento:
"Já havia passado a jovem guarda, já havia passado o tropicalismo. Mas ainda
havia aquele embalo e quando a gente entrou para defender Gotham City, com
aquelas roupas e as guitarras elétricas, criou-se um clima. Porque o festival
era coisa bem-comportada, com valores estabelecidos e, no momento em que o
público se deparou com aquele visual, começou a ficar irritado. A vaia foi até o
fim e ficou registrada em cadeia nacional. Isso foi no Maracanãzinho, num
momento difícil: 1969. Não era só a música, era o Brasil que estava em questão.
E quando se grita "cuidado", é com carinho para com a outra pessoa: "vê se não,
escorrega e se quebra todo". Mas com a agressividade do público, eu me tornei
agressivo. O público estava acostumado a ser o espetáculo e houve um embate."
Esta fotografia, feita pelo departamento jornalístico da revista "O
Cruzeiro", registra este momento de incompreensão do público em face dos alertas
do artista. Um protesto velado e bem pensado contra a ditadura militar
incompreendido pelo público do
Maracanãzinho.