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Não mais se discute o valor prático da colposcopia como método de combate ao câncer do colo uterino. Na esfera de sua eficácia diagnóstica estão as lesões precursoras do câncer, o câncer intra-epitelial e as fases mais incipientes do câncer invasor. Todas essas lesões se traduzem por alterações do epitélio de revestimento da ectocérvice, que o colposcópio reconhece, genericamente. Nosso esforço é para o diagnóstico específico de cada uma delas. Temos progredido muito nesse terreno, mas a segurança ainda aconselha, em cada caso, a identificação histológica. A biopsia continua a ser a última palavra. Mas só a colposcopia permite orientá-la devidamente. Em primeiro lugar, dispensando-a em numerosos casos nos quais à vista desarmada. ela parecia indicada. No exame total da população feminina da cidade de Wernigerode (Mestwerdt, 1961), a colposcopia permitiu reduzir as biopsias, nos casos suspeitos, de 402 (7,1 %) para 58 (1,3%). Em segundo lugar, indicando-a em casos nos quais o olho nu nada descobre de suspeito. Em todos os casos suspeitos, guiando, com precisão, a tomada do fragmento no ponto mais conveniente. Com isso, o resultado da biopsia torna-se mais seguro. Sem a indicação colposcópica, a retirada do fragmento pode recair em área aparentemente suspeita, deixando de lado alterações mais graves. Nessas condições, o resultado da biopsia poderá ser falsamente negativo, deixando evoluir lesão que o colposcópio seguramente descobriria. Essa biopsia seletiva é uma das virtudes essenciais da colposcopia. Falsamente negativa pode ser também a inspeção colposcópica, quando a lesão é endocervical. Nesses casos, a colpocitologia levantará a suspeita, que a biopsia passará a limpo. Como sempre, o alcance dos métodos semiológicos é limitado, devendo-se usá-los, todos, nos exames de rotina, para maior segurança. Aqui, a prudência aconselha o uso combinado da citologia e da colposcopia, incluindo o teste de Schiller. A tendência atual é usar sistematicamente esses métodos diagnósticos, não apenas na prática clínica, mas sobretudo nos serviços de prevenção do câncer genital feminino que se vão difundindo, por iniciativa de entidades públicas e particulares. Daí ter aumentado consideravelmente o interesse pelo estudo da colposcopia. |