João Camara Litogravura Arte Moderna Brasileira Quadros
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João Câmara Filho (João Pessoa PB 1944). Pintor, gravador, desenhista, artista gráfico, professor e crítico. Estuda pintura no curso livre da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco, entre 1960 e 1963. Nesse ano, é eleito presidente da Sociedade de Arte Moderna do Recife - SAMR e cursa xilogravura, sob orientação de Henrique Oswald (1918 - 1965) e Emanoel Araújo (1940), na Escola de Belas Artes de Salvador. Em 1964, funda, com Adão Pinheiro (1938), José Tavares e Guita Charifker (1936), o Ateliê Coletivo da Ribeira e, em 1965, o Ateliê + Dez, ambos em Olinda. Entre 1967 e 1970, leciona pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. Em 1974, monta um ateliê de litografia, transformado depois na Oficina Guaianases de Gravura, que, a partir de 1995, é incorporada ao Laboratório de Artes Visuais da Universidade Federal de Pernambuco. A partir da década de 1960, a produção de João Câmara caracteriza-se por apresentar, ao lado de figuras humanas com seus corpos estruturados, representações de corpos fragmentados, o que confere um caráter de estranheza aos trabalhos. Na década de 1970, o artista inicia a realização das séries Cenas da Vida Brasileira 1930/1954 (1974-1976) e Dez Casos de Amor e uma Pintura de Câmara (1977-1983). Em 1986, realiza a série O Olho de meu Pai sobre a Cidade, em que faz uma homenagem a seu pai e à cidade do Recife. Em 2001, conclui a série Duas Cidades, que tem como cenário as cidades de Recife e Olinda.
Críticas
"O caráter mais evidente da obra de João Câmara Filho é a sua clara presença. Ou dizendo de outra maneira, ela é convincente: nas dimensões, na técnica, nos temas, nos títulos. Podemos até não gostar daquilo que estamos vendo, mas é impossível fugir a sua presença. Podemos até não gostar das cores, do desenho de contornos duros, da ostensividade da figura humana, quase sempre masculina, visíveis as marcas do tempo no corpo exposto, dos objetos-máquinas que se tornam aterrorizantes e agressivos como também os animais e alimentos na busca irrupção do doméstico na cena pública, ou vice-versa, do caráter grave e sério das situações narradas, enfim, do sufoco que resulta da ausência de espaço, ou melhor, do seu espaço rigidamente compartimentado. Tudo isso pode ser desagradável, mas exerce, ao mesmo tempo, uma poderosa atração. Somos colhidos pela obra, tomados por uma sensação de estranhamento. Estranheza que cresce à medida que vemos desfilar, quadro a quadro, como num palco, alguns conhecidos atores da cena política brasileira. Figuras que pareciam guardadas em algum compartimento escuro de nossa memória ou transformadas já em documentos, fotos, microfilmes, anais, mas que irrompem subitamente na tela/palco, como se estivessem vivos. Ou seriam fantasma projetados no ecran da tela? Estas caras (ou seriam máscaras), estes gestos quase sempre retóricos, por vezes cômicos ou trágicos, estas posturas e olhares, estas mãos e dedos ameaçadores surgem quase perturbadores, incômodos, mas também fascinantes. E nosso mal-estar (ou fascínio) crescerá à medida que formos penetrando no clima de trabalho, assim como a medida que identificamos os atores e cenários (épocas) nos quais atuaram, identificamos, também o seu papel". Frederico Morais |
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