|
Laura Soares Maffei quase sucumbiu. E o peso que envergava seu corpo, desancava seu espírito, demolia sua alma tinha vários nomes: álcool, tabaco, maconha, cocaína, lança-perfume, cheirinho da lolô, chã de cogumelo, haxixe. A lista é longa e para chegar ao ponto final dela, Laura palmilhou um caminho pedregoso, negro, cercada de almas tão torturadas quanto a dela e tanto quanto ela incapazes de galgar a borda do poço. Laura escorregou várias vezes e várias vezes chafurdou na lama mais escura das drogas. Na busca desenfreada da "nóia", esgueirou-se por favelas, buracos, bocas de fumo. Traficou, usou cheques manchados de sangue roubados de vítima de latrocínio cometido por outras pessoas. Ela mesma chegou a roubar a própria família. Perdeu empregos, manipulou amigos, torrou patrimônio, perdeu a bússola da vida que só apontava numa direção: a morte pelo uso da droga. Mas aí apareceu Vitória. E o que era negro começou a ficar cinza.
|