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Dvd - Os Esquecidos - ( Los Olvidados ) - Luis Buñuel

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    OS ESQUECIDOS
    Los Olvidados

    Filme de Luis Buñuel



    FESTIVAL DE CANNES - MELHOR DIRETOR - INDICADO AO GRAND PRIX - MELHOR FILME
    ACADEMIA DE CINEMA MEXICANA (ARIEL) - GOLDEN ARIEL - MELHOR FILME - ATUAÇÃO INFANTIL, FOTOGRAFIA, DIREÇÃO, MONTAGEM, ROTEIRO, DESENHO DE PRODUÇÃO, ARGUMENTO, SOM, ATUAÇÃO JUVENIL E ATRIZ COADJUVANTE
    ACADEMIA DE CINEMA BRITÂNICA (BAFTA) - MELHOR DIRETOR - INDICADO AO GRAND PRIX - MELHOR FILME


    Tido como a verdadeira retomada de Luis Buñuel no universo do cinema, depois de um hiato de praticamente 20 anos, Os Esquecidos é prova de seu inconformismo com a sociedade, o que inclui até ele mesmo. O surrealismo que o marcou em início de carreira desaparece completamente para dar lugar a uma crítica social incisiva e contundente, numa crônica suburbana com personagens riquíssimos em sua aparente simplicidade. O centro do drama é o menino Pedro (Alfonso Mejía), um desgarrado que vive se metendo em encrencas com os amigos, em particular o delinqüente Jaibo (Roberto Cobo). Há esperança para esses garotos sem perspectiva? Sim, há, mas quem mais deveria fornecê-la está calejado por uma realidade cruel demais para fazê-lo.

    O longa é sessão obrigatória para quem deseja conhecer a fundo o cinema de crítica social. Além disso, tal qual Bergman na Europa, filmes como este fazem parte de um grupo restrito: o dos trabalhos que transcendem o formato e alcançam o status de pura arte.






    Áudio:  Espanhol
    Legendas: Português  / Inglês / Espanhol
    Tela: Standard
    Extras: FInal Alternativo Bio-filmografia, Notas de Produção, Galeria de Fotos e Ensaio Surrealista


    C R Í T I C A





    Após os marcos surrealistas Um Cão Andaluz e A Idade de Ouro e dos documentários Terra Sem Pão e Espanha Leal em Armas (pró-república), Luis Buñuel mudou-se para os EUA, onde trabalhou na Warner Bros., supervisionando as dublagens em espanhol para o estúdio, e no MoMA, remontando O Triunfo da Vontade para que servisse como propaganda antinazista, além de ter sido expulso por Greta Garbo de um set de filmagem. Persona non grata na ditadura franquista, Dom Luis foi para o México, em 1946, à procura de emprego: bem ao gosto do sistema de produção cinematográfico daquele país, realizou as comédias de aventura Gran Casino e El Grande Calavera. O sucesso comercial do último, no entanto, permitiu a Buñuel dirigir o audacioso Os Esquecidos, com que retornou definitivamente ao primeiro plano do cinema mundial, ao ganhar, inclusive, o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes.

    A fase mexicana, quando se juntou ao roteirista Luis Alcoriza e ao fotógrafo Gabriel Figueroa, reúne os melhores filmes de Luis Buñuel (exceção aos estupendos O Diário de Uma Camareira e Tristana, Uma Paixão Mórbida, feitos na França). Se Um Cão Andaluz e A Idade de Ouro, como projetos ligados à vanguarda do surrealismo, pregavam a ruptura a quaisquer convenções narrativas, os filmes de Dom Luis no México, ao contrário, mostram-se justamente clássico-narrativos. Em Os Esquecidos, por exemplo, a história contada é límpida e cristalina: o menino Pedro se envolve com a pequena bandidagem de rua liderada por El Jaibo que, para se vingar de quem supostamente o entregou à polícia, assassina Julian. A fim de conquistar o amor da mãe ausente, Pedro se emprega como aprendiz de ferreiro, mas é acusado de roubo e vai para o reformatório. Ao sair, o reencontro com El Jaibo precipita a tragédia.

    Os Esquecidos
    , O Anjo Exterminador, O Alucinado, Ensaio de Um Crime, Viridiana, Nazarin: filmes narrativos que, todavia, sabotam a si próprios, na medida em que tornam ambíguas e mesmos incompreensíveis as motivações dos personagens. Por que, depois de presenciar tanta injustiça e maldade, padre Nazário se arma com um abacaxi e permanece teimosamente honesto, íntegro e bondoso em Nazarin? Por que os burgueses de O Anjo Exterminador não conseguem deixar a casa onde estão reunidos? Por que Francisco Córdoba, Archibaldo de La Cruz e Dom Jaime (protagonistas, respectivamente, de O Alucinado, Ensaio de Um Crime e Viridiana) afundam no amor obsessivo e controlador, embora sejam cidadãos respeitados dentro da comunidade? Pedro, em Os Esquecidos, admite não ser bom, declara que deseja mudar, mas que não sabe como: seus atos não se adequam às explicações racionais, uma vez que se pautam pelos impulsos, pelos desejos e pelas emoções que explodem sem aviso, como na seqüência em que, com raiva e desconhecendo o motivo, mata as galinhas à paulada (embora, ao final, concorde com a nada convincente teoria do diretor do reformatório).

    Pedro, El Jaibo, Ojitos, Metche e as demais crianças e adolescentes que vagam pelos subúrbios miseráveis da Cidade do México representam os esquecidos e os abandonados pelo mundo dos adultos que, preocupados em impor a lei e a disciplina, negam-lhes amor, carinho, afeto e compaixão (o assustador discurso de Dom Carmelo, que prefere trata-los como simples criminosos ou como meros animais). Em Os Esquecidos, todos os adultos são personagens ausentes, frios ou abjetos: a mãe de Pedro, que o odeia e que o chama de vagabundo; o pai de Ojitos, que o deixa à própria sorte na feira; os pais que El Jaibo nunca conheceu; o avô surdo de Metche, mais zeloso com os animais do que com a neta; o pedófilo que aborda Pedro em frente à vitrine da loja; o velho cego que escraviza Ojitos, assedia Metche e provoca a morte de El Jaibo. Dos casos particulares ao coletivo, há o Estado em si, que deixa os mais indefesos (e a quem deveria proteger) viverem na desesperança e na desolação. Para Buñuel, a sociedade em que seus jovens personagens estão imersos se encontra tão viciada e tão corrupta que até a inocência infantil já se perdeu por completo.

    Não há, pois, redenção possível, em Os Esquecidos, tanto para Pedro quanto para El Jaibo, que vivem e morrem no abandono e na injustiça. Cidade do México, Paris, Nova York, Rio de Janeiro, não importa: cada qual possui o Dom Carmelo que merece, pregando aos quatro ventos, como saída definitiva para qualquer crise, o retorno ao poder dos tempos assassinos de Porfírio Diaz . Paulo Ricardo de Almeida




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