"Em 1999 seria uma das vencedoras do Prêmio Sharp, na época o mais importante da música brasileira"
Dona Selma Ferreira da Silva, ou Dona Selma do Coco, faz coco desde os anos 60, mas era conhecida apenas na comunidade em que vivia em Olinda desde 1966 (nasceu no interior de Pernambuco) Viveu do comércio até 1994, quando jovens do manguebeat, a exemplo de Chico Science, passaram a tecer elogios ao seu trabalho.Em 1995 gravou o primeiro disco. Em 1996, o coco "A Rolinha" foi sucesso durante o carnaval do Recife e Olinda. Em 1997 Dona Selma e seu grupo fizeram uma turnê Alemanha, onde gravou mais um disco. No ano seguinte ficaria conhecida nacionalmente ao participar do Abril pro Rock. Em 1999 seria uma das vencedoras do Prêmio Sharp, na época o mais importante da música brasileira. Em 2001 participou do festival de Nova Orleans.
Fazendo jus à criatividade tipicamente brasileira, esta famosa tapioqueira decidiu combinar culinária pernambucana com o balanço do Coco de Roda, como forma de atrair a clientela e chamar a atenção dos turistas enquanto vendia comes e bebes na frente de sua casa. Diversos testemunhos comprovam a fama dessas festas e explicam a atração exercida pelo ritmo.
Muitos consideram o ano de 1996 como início da ascensão, quando a Rainha do Coco se apresentou em um palco pequeno, numa das edições do Festival Abril pro Rock, em meio à efervescência do movimento Mangue Beat. Naquele ano, foi destaque do festival, conquistando o público e aumentando sua legião de admiradores. A partir de então, a vida e a carreira da cantora não foram mais as mesmas.
E foi assim, com seus marcantes "há-hás", que Dona Selma começou a circular na grande mídia. Sobre isso, ela conta como chegou ao Programa Jô Soares Onze e Meia e ao Domingão do Faustão. Registros mostram que jornais como Folha de São Paulo, Estadão, Jornal do Brasil, O Globo e Correio Brasiliense estamparam as cores do Coco em diversas páginas e mostrou a força dessa nordestina que lutou para não deixar ma importante parte da cultura pernambucana desaparecer. Nem mesmo o New York Times se ausentou de registrar a presença da rainha do Coco por terras americanas, já que a conquista teve passagem meteórica pelo Festival Lincoln Center, em New York, e pode de orgulhar de ser a única cantora brasileira a participar do Festival de Jazz em New Orleans.
Como o apoio do Ministério da Cultura, já divulgou a música brasileira também na França, Bélgica, Espanha, Suíça, Portugal e Alemanha. Em terras germânicas, Dona Selma é tema de Doutorado sobre cultura Popular. A convite do Instituto Cultural de Berlim, lá ela também participou de gravações do disco "Herdeiros da Noite", em que figura ao lado de grupos africanos e de outros países. Foi também na Alemanha, no studio Ufa Fabrik, que ela teve seu disco "Cultura Viva" gravado e mixado. Nestes países, a música da "Rainha do Coco" não é somente recordação, podendo ser encontrada em CDs feitos especialmente para admiradores de world music.