Magick - Livro 4 – Partes I, II e III - Editora Bhavani
Aleister Crowley
282 Páginas - Ano de Edição 2009
O título original de maior parte deste tratado de Magia é Magick, in Theory End Practic. Em 1929 ele foi editado de forma privada para alguns iniciados em duas versões: Uma versão completa de capa dura com as quatro partes e os apêndices I e outra dividida em quatro partes sem os apêndices.
Foi uma tiragem no total de mil livros que foram distribuídos pelas livrarias simpatizantes de Londres e nesta ocasião não houve críticas por parte da imprensa.
“As pessoas em geral querem um tratado de Magia”, escreveu Crowley “Nunca foi feita uma verdadeira tentativa desde a Idade Média desde as obras de Levi.” Ele esqueceu-se de mencionar o Magus ou Inteligência Celestial de Francis Barret no ano de 1801.
A obra não foi a primeira tentativa de Crowley (1875-1947). em querer explicar a Magia em termos gerais. Em 1911 ele publicou de forma privada a primeira parte do Livro Quatro e no seguinte ano ele fez o mesmo com a segunda parte. ‘Magick em teoria e prática’ era na realidade [naquela época], a terceira parte.
Nas duas primeiras partes ele teve a ajuda de Soror Virakam (Mary d’Est Sturges), uma amiga de Isadora Duncan e Mulher Escarlate nesse tempo de Crowley. Ela não apenas o ajudou a escrever como também financiou a edição dos livros. O Livro Quatro tem ainda uma quarta parte [O Equinócio dos Deuses]. Esse, é um volumoso comentário sobre o Livro da Lei.
A primeira parte do Livro Quatro trata dos princípios gerais da Yoga, subdividindo-se em Ásana (postura), Pranayama (regularização do controle da respiração), Pratyahara (introspecção), Dharana (concentração mental), Dhyana (meditação) e outros ramos da Yôga.
Entre 1902 e 1906 Crowley estudou profundamente Yôga sob a tutela de Gurus iniciados, por este motivo seu conhecimento sobre o tema não eram de forma alguma teóricos.
Yôga foi um tema discutido por Blavatsky que o estudou durante anos na Índia, porém, Crowley, se iniciou em ramos enigmáticos da Yôga – em diferença dela – que hoje conhecemos como Tantrismo, esse é um ramo da Yôga difamado e denegrido pala sociedade Teosófica de Blavatsky.
Crowley foi mais fundo. No inicio do século XX ele aprendeu na Golden Dawm a tradição do ocidente com suas raízes no antigo Egito com influências da Qabalah judaica.
O K anglo-saxão no final de Magick era o conceito que Crowley usava para divulgar seu sistema particular de iniciação. O K é equivalente ao número onze em muitos alfabetos e onze é o número principal da Magia porque é atribuído aos qliphos – que devem ser conquistados antes de se poder executar a Magia. O K tem outras implicações mágicas: corresponde ao aspecto de poder ou Shakti da energia criadora porque o K é igual ao Khu no antigo Egito, o poder mágico. Especificamente é Kteis (vagina), o complemento da Baqueta (falo) que o Mago utiliza em determinados aspectos da Grande Obra.
A segunda parte trata das Armas Mágicas, sua construção, consagração e para que serve cada uma.
A terceira parte Crowley expõe seu próprio sistema de iniciação.
Até então vários autores tentaram revelar a verdadeira natureza da Magia, porém, coube a Crowley em Magick expor as Chaves para o adestramento das funções mágicas do Magista.
Segundo Crowley, Amor sob vontade, pode ser interpretado Kteis sob o Falo, é a Fórmula oculta do Æon de Hórus. Esta é a fórmula da Magia Sexual mais direta e mais potente e assim é claro que existe maior êxito, porém, como ele mesmo diz, pode ser a mais perigosa se usada de forma errada.
A primeira idéia da Magia é permitir que o Mago tenha influência no reino que está por detrás das aparências para poder transformá-las. Em outras palavras, “causar transformações em conformidade com sua Vontade”. Para que isso seja feito, ele deve conhecer o Universo sutil Interior. A Árvore da Vida é um mapa deste Universo Oculto Interior que compreende Assiah, Yetzirah, Briah e Atziluth.
Neste livro o estudante poderá compreender que o Mago e sua Shakti mesmo estando em plano físico exaltam sua consciência em níveis superiores de outras dimensões regidas por poucas Leis, ou seja, a potência de suas sexualidades lhes permite transcender seus próprios níveis de consciência e estar diretamente em contato com o plano astral.
Outros sistemas fazem o mesmo tipo de exaltação de consciências com rituais cerimoniais, porém, aquele que pratica o sistema Thelêmico sobe ou desce para encontrar seu nível de consciência levando em consideração que, o êxtase é um estado metafísico em sua forma mais concentrada que é o Samadhi, é o produto ou fruto da união de opostos, que em si, é a meta da Yôga e da experiência mística.
Temos então sobre o plano físico as polaridades necessárias, Sol (a Besta) e Lua (BABALON), o espírito e a Carne. A Fórmula de Set, o êxtase da união do espírito e da Carne, o Sh & o T que Crowley explica neste livro. Essa é a verdade de sua Magia.
BABALON (Babal = porta, On = Sol) significa “O Portal do Sol”; Ela admite a ‘força solar’ através de seu portal, canal, passagem e “cat” isto é, gata em inglês, ‘pudenta’. Como a ‘gata’, Ela é a Lua, ou o Sol refletindo o “Olho de Amenth”; o Olho Esquerdo do espaço assim como o Sol é o direito. Assim Vama-Marga literalmente significa ‘caminho’ envolvendo o uso da mulher, a fêmea usada e considerada como o esquerdo ou lunar aspecto da Criação.
O nome BABALON é numericamente equivalente a 156, enquanto que a forma corrupta ou apocalíptica BABYLON (Babilônia) soma 165 – um número que não possui qualquer significância particular qabalística. 156, por outro lado, leva várias idéias relacionadas com a função da “Mulher Escarlate”. Por exemplo, o número de TzIVN, ZION, a Montanha Sagrada e também o número da Cidade das Pirâmides sob a noite de Pã que deve ser penetrada e explorada através do mágico uso de BABALON. Também é, de acordo com Liber CDXVIII (418), o número do CHAOS , que é uma concepção de singular importância na Qabalah, pois assim é um secreto nome da Besta. BABALON está assim identificada com o verdadeiro Senhor.
A Cidade das Pirâmides é Binah, a terceira Sephira da Árvore da Vida. Refere-se a Saturno e, portanto, identifica a mais antiga concepção de ‘Geratriz’. A final destruição do conhecimento de Daath, a falsa Sephira, abre os portais da Cidade das Pirâmides.
Em outra forma de compreensão, a Cidade das Pirâmides compreende as séries de sessões piramidais – 156 em número – ao lado dos quatro lados das Torres do Universo.
Este pequeno livro me impressiona hoje em dia como há anos quando eu o li pela primeira vez. Ele agrupa em sua simples estrutura, claridade e profundidade em uma só unidade e da mesma forma ainda não existe escrito nada que se compare com ele na literatura ocultista.
Ele se ocupa da Yôga. Com um sistema metódico Aleister Crowley se preocupa em trazer a realidade para o tema tirando dele o mistério que o rodeava. Com grande clareza Crowley descreve cada passo com uma técnica de disciplina mental que conduz o estudante as mais longas alturas já conhecidas.
Nenhuma parte deste estudo foi discutida sem prévia experimentação por parte do autor.
A maioria de suas práticas de Yôga datam de 1901. Enquanto fazia suas viagens ao Himalaia para praticar alpinismo se deteve no Ceilão para visitar seu antigo mentor mágico-espiritual, Allan Bennett. Juntos, experimentaram e aprenderam as disciplinas da Yôga sob a supervisão de Sri. Parananda. O primeiro triunfo culminou na obtenção de Dhyana, um incrível orgasmo interior da mente. Nos anos seguintes, ele retomou as práticas de Yôga e com base nestas experiências ele escreveu Livro Quatro parte I. Esse é o melhor tratado ocidental de Yôga. É bem diferente dos tratados orientais dos Yôguis e Swamis que parecem determinados a complicar tudo. A parte II deste livro, trabalha com o simbolismo mágico. A Magia em si não é tão fácil de entender como as puramente físicas e/ou mentais técnicas de Yôga.
Durante a década de 1920, Crowley escreveu a parte III sob o título de Magick em teoria e prática, onde, novamente, explora e explica o tema em um nível mais prático e profundo. Mas, para se entender a Magia, é necessário uma profunda compreensão deste trabalho. Para mim, este é um clássico.
A técnica do misticismo se subdivide naturalmente em duas grandes classes. Uma é a Magia e a outra é a Yoga. E aqui é necessário registrar um veemente protesto contra os críticos que, em oposição ao misticismo – pôr cujo termo se compreende um tal processo como a Yoga ou contemplação –, posicionam a Magia como algo completamente à parte, não-espiritual, mundano e grosseiro. Julgo essa classificação contrária às implicações de ambos os sistemas e inteiramente incorreta. Yoga e Magia, os métodos de reflexão e de exaltação, respectivamente, são ambos fases distintas compreendidas no único termo misticismo. Apesar de frequentemente empregado de maneira indevida e errônea, o termo misticismo é utilizado ao longo de todo este ensaio porque é o termo correto para designar aquela relação mística ou estática do SAG com o universo. Expressa a relação do indivíduo com uma consciência mais ampla ou no interior ou exterior de si mesmo quando, indo além de suas próprias necessidade pessoais, ele descobre sua predisposição a finalidades mais abrangentes e mais harmoniosas. Se essa definição estiver em consonância com nossos pontos de vista, então será óbvio que a Magia, igualmente concebida para executar essa mesma necessária relação, porquanto mediante diferentes métodos, não pode satisfatoriamente ser colocada em oposição ao misticismo e às vantagens de um sistema laudatoriamente celebradas em oposição às impropriedades do outro, pois os melhores aspectos da Magia constituem uma parte, tal como o melhor da Yoga constitui também uma parte daquele sistema completo, o misticismo.
Tem-se escrito muito sobre Yôga, de tolices a algo digno de nota. Mas todo o segredo do Caminho da União Real está contido no segundo aforismo dos Sutras de Yôga de Patanjali. A Yôga busca atingir a realidade solapando as bases da consciência ordinária, de maneira que no mar tranqüilo da mente que sucede a cessação de todo pensamento, o eterno sol interior de esplendor espiritual possa brilhar para derramar raios de luz e vida, e imortalidade, intensificando todo o significado humano. Todas as práticas e exercícios nos sistemas de Yôga são estágios científicos com o objetivo comum de suspender completamente todo pensamento sob vontade. A mente precisa estar inteiramente esvaziada sob Vontade de seu conteúdo. A Magia, por outro lado, é um sistema mnemônico de psicologia no qual as minúcias cerimoniais quase intermináveis, as circumambulações, conjurações e sufumigações visam deliberadamente a exaltar a imaginação e a alma, com a plena transcendência do plano normal do pensamento. No primeiro caso, o machado espiritual é aplicado à raiz da árvore, e o esforço é feito conscientemente para minar toda a estrutura da consciência com o fito de revelar a alma abaixo. O método mágico, ao contrário, consiste no empenho de ascender completamente além do plano de existência de árvores, raízes e machados. O resultado em ambos os casos – êxtase e um maravilhoso transbordamento de alegria, furiosamente arrebatador e incomparavelmente santo – é idêntico. Pode-se compreender facilmente então que o meio ideal de encontrar a pérola perfeita, a jóia sem preço, através da qual pode-se ver a cidade santa de Deus, é uma judiciosa combinação de ambas as técnicas. Em todos os casos, a Magia se revela mais eficiente e poderosa quando combinada ao controle da mente, que é o objetivo a ser atingido na Yôga. E, da mesma forma, os êxtases da Yôga adquirem um certo matiz rosado de romantismo e significado inspiracional quando são associados à arte da Magia.
O misticismo – Magia e Yôga – é o veículo, portanto, para uma nova vida universal, mais rica, mais grandiosa e mais plena de recursos do que jamais o foi, tão livre como a luz do sol, tão graciosa quanto o desabrochar de um botão de rosa. Ela é para ser tomada pelo homem.
O importante é que o iniciante tenha pleno desenvolvimento teórico e saiba treinar o discernimento, pois este, se tu não sabes estudante, é o elemento ar em si, é a Espada e a Adaga Mágica e se tu não tiveres este discernimento, como pode dominar a tua mente na hora de uma meditação que confere um certo domínio sobre este elemento.
O início da prática consiste em um adestramento do corpo físico pela Ásana, um adestramento da respiração pelo Pranayama e um profundo controle da mente por Dharana, Dhyana, e etc. Porém, nisto tudo consiste uma perfeita concentração. Torna-se hilário isso, pois somente por estas práticas se dá a concentração. Mas tu mesmo irá notar que a concentração é tão necessária para essas práticas que sem ela nada funciona.
Índice:
Introdução
Livro 4 - Parte I - Misticismo (Meditação)
Capítulo I - Ásana
Capítulo II - Pranayama e Mantram-Yôga
Capítulo III - Yama e Niyama
Capítulo IV - Pratyahara
Capítulo V - Dharana
Capítulo VI - Dhyana
Capítulo VII - Samadhi.
Livro 4 - Parte II - MAGICK - Teoria Elementar
Magia Cerimonial - Treino para meditação
Capítulo I - O Templo
Capítulo II - O Círculo
Capítulo III - O Altar
Capítulo IV - O Flagelo, a Adaga e a Cadeia
Capítulo V - O Óleo Santo
Capítulo VI - A Baqueta
Capítulo VII - A Taça
Capítulo VIII - A Espada Mágica
Capítulo IX - O Pantáculo
Capítulo X - A Lâmpada
Capítulo XI - A Coroa
Capítulo XII - O Robe
Capítulo XIII - O Livro
Capítulo XIV - A Campainha
Capitulo XV - O Lamen
Capítulo XVI - O Fogo Mágico
Livro 4 - Parte III - MAGICK - Teoria e Prática
Capítulo 0 - A Teoria Mágica do Universo
Capítulo I - Os Princípios do Ritual
Capítulo II - As Fórmulas das Armas Mágicas
Capítulo III - A Fórmula do Tetragrammaton
Capítulo IV - A Fórmula de Alhim e de Alim
Capítulo V - A Fórmula do I.A.O.
Capítulo VI - A Fórmula do Neophito
Capítulo VII - A Fórmula do Santo Graal;
de Abrahadabra; e outras palavras.
Também: A Memória Mágica.