Premiado nos festivais de Gijón, Espanha (Melhor Filme e Melhor Atriz) e Estocolmo, Suécia (Prêmio Especial do Júri), grande vencedor do Guldbagge Awards (o Oscar da Suécia) de 2003 (Melhor Filme, Direção, Atriz, Fotografia e Roteiro) e indicado ao European Film Awards (Melhor Filme e Atriz) e ao Independent Film Awards, EUA (Melhor Filme Estrangeiro), ''Lilya para Sempre'' é mais um trabalho comovente do cineasta dinamarquês Lukas Moodysoon, o mesmo de "Amigas Colégio" (1998) e "Bem-Vindos" (2000). Neste novo filme ele volta a focar seu olhar numa protagonista feminina, num desempenho fenomenal da novata Oksana Akinshina (que depois apareceria no hollywoodiano "A Supremacia Bourne").
''Lilya para Sempre'' se passa numa vila pobre da Estônia, leste europeu, onde a desilusão da falta de perspectivas é um sentimento impregnado na sociedade. Lá habitam a adolescente Lilya e sua mãe. Esta, porém, se apaixona por um homem que decide ir morar nos Estados Unidos e levá-la junto. Lilya, no início entusiasmada com a idéia, sofre um grande choque quando descobre que ela não está incluída nos planos. A mãe, mesmo com dor, não hesita em abandoná-la, deixando-a entregue a uma tia e, depois, ao poder estatal. Como este tem muitos outros problemas com o que se preocupar antes de uma garota que não sabe muito bem o que fazer com sua vida, ela acaba tendo que se virar por conta própria. E a prostituição parece ser o caminho mais fácil, até que o tráfico de garotas aparece, destituindo-a de vez de qualquer esperança.
Contado de forma bastante emocional, ''Lilya para Sempre'' é um filme a ser descoberto. Com interpretações naturalistas e uma narrativa muito concisa, a obra leva o espectador junto nesta jornada de sofrimento e desilusões da protagonista, fazendo com que cada momento de fútil expectativa seja encarada como uma mudança eficaz, mesmo que a realidade dura e sofrida esteja presente todo o tempo. Moodysoon, também autor do roteiro, conduz sua heroína por caminhos árduos, sem sadismo nem pena. Ele está ali apenas para contar sua história, e isso faz com carinho, mas sem paternalismo algum. O destino dela não será feliz, e o alento que surge no final é só mais uma maneira de comprovar a inevitabilidade das coisas. Assim como é na vida, este é um filme de méritos insuspeitos, que justifica o interesse despertado. Por Robledo Milani, do Argumento.net