Escultura em argila (terracota) policromada da escultora Eleusa Mamede.A escultura que está disponível para venda tem 75cm e é a da primeira foto. As demais fotos são de outras peças já vendidas.
 Do barro à forma... |  e à queima. |
 Da pintura... |  à imagem, à devoção, ao sentimento. |
Introdução
Eleusa, considerada uma das maiores santeiras de Goiás, desde muito nova já surpreendia a todos por seus dons artísticos. Fazia desenhos com perfeição, rostos e paisagens. Aventurou-se pela pintura e esculpia “carranquinhas” em giz. Mais tarde, advogada sem exercer a profissão, professora, esposa e mãe de dois filhos, retomou o uso do talento que Deus lhe dera. No início, despretensiosamente. Depois, para auxiliar nas despesas da casa. De repente, descobriu seu maior talento e sua maior paixão, a arte sacra, principalmente as representações de Nossa Senhora.
Seu estilo é marcado por realismo e movimento, próprios do Barroco, mas também a suavidade e perfeição dos rostos. Acredita que tal perfeição tenha fonte no amor à família e aos filhos. Atualmente, mora em Goiânia, onde tem seu atelier, expondo suas peças nas galerias de arte da cidade. Suas peças estão espalhadas pelo estado, inclusive em várias igrejas, como a de Nossa Senhora da Abadia (80cm), na Cidade de Goiás e a do Sagrado Coração de Jesus (120cm), em Nova Crixás.
Início
Era uma vez, no interior de Minas Gerais, uma menina que adorava desenhar. Entre estudos regulares e a descoberta do desenho, ela foi passando a infância, descobriu a escultura e “deu cabo” de um sem número de lápis e tocos de giz, onde esculpia carranquinhas diversas. Ao passar à adolescência, iniciando a vida adulta, a arte continuou a falar mais alto. A vida, é claro, foi se diversificando: Veio o curso superior de Direito, o marido, os filhos, e a arte falando mais alto, solicitando maior dedicação.
Não deu outra. Há quinze anos, Eleusa Mamede acabou por descobrir, em meio a novas propostas de trabalho didático, a força da argila e das massas. Entre ensinar as crianças e dar alento ao que passava na alma foi um passo: nasceu a Eleusa escultora, Eleusa Santeira, que arregaçou as mangas e arrumou tempo para buscar técnica, esmero e o melhor barro.
Eleusa, mulher, mãe, professora, retornou à infância. Saiu a fazer visitas, a conversar com outros artistas, curiosa para entender do barro, da textura, do jeito que era preciso fazer para amassar e conseguir então colocar o barro “em pé”, com diferentes formas.
O tempo das pesquisas passara. Eleusa dera fim à interna curiosidade e conseguira assimilar técnicas próprias, descobrir o mundo da escultura em argila e barro.
Arte Sacra
De descoberta em descoberta, Eleusa chegou à paixão maior: a arte sacra. Apaixonada pelos santinhos, talvez em função de toda uma cultura religiosa adquirida na infância, a figura de Nossa Senhora, acabou por seduzir de vez a santeira que começava. “Sabe, quando consegui desenhar ainda no papel a primeira Nossa Senhora, com tecido em dobras, com certa proporção, foi uma felicidade” – explica Eleusa.
Hoje, sem deixar para trás o barroco em que se aventurara, passou ao rococó, onde as proporções, o panejamento, as dobras dos mantos e tecidos é como se estivessem mesmo se movimentando. Nas pesquisas de hoje a busca é outra: “procuro descobrir os registros iconográficos já encontrados nas histórias das Santas. Vou ao encontro dos títulos que o povo deu e que a Igreja aceita”, registra a artista.
Nas imagens mais diversas, um detalhe chama a atenção, a perfeição dos rostos e das mãos. Cada Nossa Senhora que nasce do trabalho de Eleusa Mamede mostra um rosto com feição diferente, sempre marcado pela suavidade e delicadeza das linhas e traços. Nas mãos o mesmo se repete. E nos mantos, a possibilidade do existir no real transforma tudo em um perfeito conjunto. Seja uma Santa Teresinha ou Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira do Brasil.
Palavras do filho
Seu filho mais velho, Flávio, comenta da mãe: “Existem coisas na vida que não tem preço, as coisas do amor. Lembro quando estudava engenharia fora, em Campinas-SP, e passamos por muita dificuldade financeira a ponto de eu quase não poder prosseguir. E tinha ainda as dificuldades de sempre com os estudos, o cansaço cotidiano. Nos momentos mais críticos eu voltava para casa, abatido. Foi quando minha mãe começou a se dedicar mais às artes e principalmente à arte sacra. Eu voltava para casa e a via de manhã arrumando a casa e fazendo o almoço. À tarde, dando aulas como professora primária. À noite, às vezes até tarde mesmo, ela ficava no cantinho dela fazendo santos. Quando me lembro disso, sempre choro. Foi o que segurou as pontas e me servia de exemplo para continuar a luta. Com a proteção de Nossa Senhora”.
E prossegue: “Comentaram uma vez comigo que os rostos e mãos das esculturas de minha mãe, unanimemente os mais lindos do mundo, mas sou suspeito para falar, são parecidos com a minha irmã e comigo. Entendi então que deve ser por onde sai tudo que ela sente. Por isso é tão bonito o trabalho dela”.

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Exposição no Centro Loyola, de 04 a 26 de setembro de 2006, em Goiânia-GO |