Cartilha Caminho Suave - Branca Alves De Lima
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Cartilha onde milhões de brasileiros aprenderam as primeiras letras. Lembranças da infância, da primeira professora.
A maioria das pessoas alfabetizadas com mais de 30 anos guardam na lembrança um nome quase mágico: Caminho Suave. E todos, mesmo que alguns não se lembrem bem do nome, são gratos a Branca Alves de Lima, a idealizadora da cartilha que vendeu mais de 40 milhões de exemplares desde a sua criação.
A educadora Branca Alves de Lima morreu em 2001, aos 90 anos de idade, deixando uma legião de seguidores que acreditam que a alfabetização com cartilhas é mais simples do que a moda atual do construtivismo, além de funcionar muito bem. Tendo concluído o curso Normal em meados da década de 40, a professorinha Branca foi, como era costume, lecionar na zona rural de algumas cidades do Estado de São Paulo, pois esse era o caminho para conseguirem pontos necessários para ingressar no magistério público estadual o que, em contrapartida, era também a forma de levar professoras diplomadas para aqueles pontos distantes.
O método de alfabetização da época era analítico e se baseava na memorização das letras, vogais e depois consoantes, e das sílabas, com as quais os aprendizes formavam palavras, frases e, posteriormente, usavam seus conhecimentos para fazerem redações. A jovem professora Branca percebeu a grande dificuldade que aquelas crianças tinham em ?decorar? todo aquele conteúdo. Na época, ainda se usavam castigos corporais para os que não aprendesse, e com isso ela também não concordava. Na tentativa de ajudar os alunos a memorizar as letras e respectivas sílabas, fez desenhos simples que continham a inicial de palavras chaves: o "a", no corpo da abelha, o "e" na tromba do elefante, o "f" no cabo da faca, o "g" no corpo do gato e, assim por diante. O sucesso foi total. Várias gerações puderam aprender o "c" do cachorro, o "b" da barriga e do bebê e toda a seqüência do alfabeto. Assim, em 1947, nasceu a cartilha Caminho Suave, um caminho mais ameno e menos doloroso para ensinar meninos e meninas a ler e escrever.
A primeira edição é de 1948, e por mais de 30 anos foi a principal arma de alfabetização do País. Existem exemplares da década de 80, quando sofreu várias modificações, tentando se adaptar ao novo método, e vários exercícios foram incluídos. Em 1997 Brancas Alves de Lima fechou sua editora, surgida com o sucesso da sua cartilha. Na época, em uma entrevista, a professora disse: "Eles (o governo, o MEC e o Guia do Livro Didático, o Conselho Nacional de Educação, as secretarias de Educação etc.) estão projetando, quase decretando, que os alunos não usem mais cartilhas. Mas só ao final de várias décadas é que vai se chegar à conclusão se o construtivismo dá ou não resultados". Em 1995, a cartilha foi retirada do catálogo do MEC (portanto, não é avaliada), mas mesmo assim cerca de 10 mil exemplares são vendidos por ano.
A editora Edipro, atual responsável pela produção da Caminho Suave, conta histórias como a do empresário paulista que comprou 50 cartilhas para presentear os amigos no Natal. A cartilha ainda é vendida para algumas escolas particulares e antigos professores que trabalham com alfabetização de jovens e adultos. Uma distribuidora também envia os livros para o Japão, que são usados por filhos de emigrantes. Para muitos educadores, a vida de Branca Alves de Lima é a síntese de um dos principais males (se não o principal) da Educação brasileira: um enorme desrespeito dos gestores e das políticas públicas educacionais em relação aos professores e professoras, aos estudantes e suas famílias. E a prova disso foi a dificuldade encontrada para levantar dados sobre a educadora.
Nenhuma biografia sobra a autora é encontrada, mostrando que, por mais relevante que tenha sido a participação de alguém, o novo chega não só para substituir o que é considerado velho, mas para alijá-lo da memória, como se nunca tivesse existido,
| Cartilha Caminho Suave - Branca Alves De Lima
Preço:
R$ 3600 unid. (Produto Novo)
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