EDITORA NOVA CULTURAL (1987) livro lacrado da editora. No dia 15 de janeiro de 1985, o Brasil inteiro iluminou-se numa festa verde-amarela. Nas cidades, nas vilas e até em pequenos arraiais, comemorava-se a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Finalmente, após 20 anos de ditadura militar, um civil assumiria a presidência da República e, entre outras importantes questões, prometera que aquela tinha sido a última eleição indireta do país. "Vim para promover as mudanças", disse o presidente eleito, consciente de que sua proposta encarnava a esperança de milhões de brasileiros. Nascido em São João del Rey, Minas Gerais, em 4 de março de 1910, Tancredo Neves teve uma longa e agitada vida pública. Eleito deputado estadual em 1945, logo revelou-se um político sagaz, dono de uma oratória que o tornaria famoso nas décadas seguintes. Deputado federal, ministro da Justiça, primeiro-ministro, senador e governador de Minas, Tancredo caracteriza-se pela sua atuação nos bastidores da política, onde desempenhou com estilo impecável seus dotes de conciliador. Mestre das conversas ao pé do ouvido, soube navegar nos mares tempestuosos que marcaram a vida política brasileira na década de 60 e começo de 70. Candidato à presidência pela Aliança Democrática, Tancredo Neves dirigiu sua campanha sob a palavra de ordem Muda Brasil. Mas quando tudo estava pronto para começar a mudar, foi o pesadelo que começou. Horas antes da posse, o presidente eleito foi internado para uma operação de urgência. Outras 6 cirurgias seguiram-se à primeira e, após 38 dias de agonia, Tancredo Neves faleceu no Instituto do Coração, em São Paulo. Nesse 21 de abril, como naquele de 1792, o Brasil chorou. Escrito por Augusto Nunes, que é diretor do Jornal do Brasil em São Paulo. Foi editor de política e redator chefe da revista Veja e repórter de O Estado de São Paulo.