EDITORA NOVA CULTURAL (1987) livro lacrado da editora. Em 26 de abril de 1937, a população da pequena cidade de Guernica, no norte da Espanha, estava concentrada na praça principal da aldeia. Era dia de feira e os camponeses da região vendiam ali seus produtos. Às 16:30 horas, o repicar dos sinos da igreja anunciou a proximidade de um ataque aéreo. Alguns minutos depois, aviões alemães da Legião Condor transformavam a pequena cidade basca num inferno. Bombas incendiárias e metralhadoras arrasaram a vila e parte da população. O episódio, conhecido como o bombardeio de Guernica, tornou-se o símbolo ignominioso da vitória franquista contra a Espanha Republicana. O líder dessa vitória era o general Francisco Franco, militar galego que fizera carreira no Marrocos espanhol e que, em 1923, tornara-se o comandante da Legião Estrangeira Espanhola. Ultracatólico, monarquista e antidemocrático, Franco não teve participação política ativa nos anos que precederam a queda da monarquia espanhola e a instauração da República. Entretanto em 1936, juntou-se contra o governo de Madri. Iniciava-se então a Guerra Civil Espanhola, o conflito que entre 1936 e 1939 seria o campo de provas das forças e interesses internacionais que se enfrentariam na Segunda Guerra Mundial. Com a vitória dos nacionalistas apoiados por Hitler e Mussolini, Franco emergiu como o "Chefe Supremo da Espanha", responsável somente diante de Deus e da História. Convicto dessa função histórica, o generalíssimo governou seu país com mão de ferro durante 36 anos, nos quais conseguiu modernizar a economia nacional, mas a um alto preço: a liberdade. Escrito por Hedda Garza, que é consultora de Ciências Políticas na Universidade Estadual de Nova York.