Chico Da Silva Tela C/ Fundo Preto Aves
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MARAVILHOSA OBRA DE CHICO DA SILVA.
TAMANHO: 65 X 45 - 1975 - TEMPERA EM TELA FINA
ANO 1975
COM PEQUENOS FUROS (VER FOTOS)
Marcadas pelo talento, o acaso e a decadência, a vida e a obra de Chico da Silva são das mais intrigantes da História da Arte brasileira e também um retrato da falta de suporte por parte do governo e dos próprios artistas em oferecer a oportunidade de um grande artista, ainda que simples, como Chico da Silva - analfabeto toda a vida - de se profissionalizar.
Francisco Domingos da Silva nasceu no Acre, e aos 10 anos veio para Pirambu, bairro pobre de Fortaleza. Perdeu o pai logo depois passando a fazer todos os tipos de serviços - consertando sapato, fogão, cobrindo guarda chuva, etc. Em suas muitas andanças pela cidade, Chico às vezes parava em frente a um muro branco e fazia desenhos com carvão ou tijolo, colorindo-os com folhas. Foram estes desenhos, na Praia Formosa, que chamaram a atenção do crítico de arte e pintor Jean-Pierre Chabloz que passou a procurá-lo e foi seu primeiro incentivador.
Chabloz ensinou Chico da Silva a pintar com guache e passou a dar o material para que ele pintasse, além de comprar todas as suas telas - comprou mais de 40. Foi por intermédio dele que Chico da Silva expôs, pela primeira vez, no III Salão Cearense de pintura e no Salão de Abril de 1943, em Fortaleza. Em 45, junto com outros artistas cearenses, expõe na Galeria Askanasy e, durante a década de 50, suas obras vão ser vistas em várias galerias da Europa, conseqüência de um artigo a seu respeito no Cahiers d?Art, conceituada publicação francesa, que o considerou um pintor genuinamente primitivo.
Deslumbrado com o dinheiro e a fama, Chico da Silva passa a gastar com álcool e mulheres; atento à supervalorização dos seus quadros, quer produzir cada vez mais, e passa a recorrer a ajudantes, na verdade meninos e meninas que pintavam os quadros que ele só assinava - cerca de 90% dos quadros com data posterior a 72 eram falsos. A esta altura o artista estava cercado de aproveitadores que o exploravam, exigindo cada vez uma produção maior, vendendo quadros de Chico em mercados, feiras e até na porta de hotéis, por valores ínfimos.
Em meio a denúncias de falsificação, Chico da Silva é indicado para expor na XXXIII Bienal de Veneza, em 66, onde recebe Menção Honrosa. Chabloz, decepcionado com os rumos que artista e obra tomaram, rompe com ele em 69, afirmando em um artigo do Jornal do Brasil, intitulado Chico da Silva ou a ingenuidade perdida, que sua arte estava morta.
A processo de decadência do artista se agrava com a morte da mulher, Dalva, em 75, e tem seu ápice em 1976, quando foi internado com cirrose hepática e tuberculose crônica, permanecendo um ano no hospital. Mesmo se recuperando fisicamente, Chico continuou bebendo e jamais conseguiu recuperar sua arte. O maior artista primitivo do Brasil, que imprimia nas suas pinturas toda a mitologia da região amazônica realizava através de uma expressão quase surrealista, e que está representado nas maiores coleções do mundo - como a da Rainha da Inglaterra - nunca teve suporte para estruturar sua carreira, apenas incentivos isolados, que o jogou em um meio desconhecido que o deslumbrou e, dentro do qual, sem orientação, acabou por perder-se.
Cassandra de Castro Assis Gonçalves
[bolsista IC-FAPESP]
Profa. Dra. Daisy Peccinini de Alvarado
[orientadora MAC-USP]
| Chico Da Silva Tela C/ Fundo Preto Aves
Preço:
R$ 35000 unid. (Produto Usado)
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